Você sabe, eu sei, que tem coisas que a gente tem que dizer...
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E é enquanto escrevo que percebo que não se trata exatamente de construir algo a ser transmitido, compreendido, por mais ninguém: é pra ser dito.
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Por isso que os dias passam na companhia apressada das horas, sempre rápido demais, e eu sempre aqui! Eu sempre...
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Sento e escrevo sobre o que não sei pra tentar acalmar essa coisa que eu não sei como chama. Então olho pro rosto refletido do monitor tentando perceber no semblante alguma intenção. Separo uns livros, leio velhos rabiscos e recorto algumas coisas. Procuro nas páginas por pistas e nos dizeres conselhos. Lembro de sentimentos antigos e misturo as notas como num perfume procurando uma identidade de essências. Preciso saber do que se trata pra que eu possa expulsar ao dizer. Não é assim que chamam? Por pra fora?

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Queria mesmo falar sobre uns medos bobos (e estranhos) que tenho. Sobre essa solidão que me cutuca, e que é tão intrusa quanto descabida. Tenho ao meu redor tanta gente especial e que gosta mesmo de mim... diria que sou solitária, mas não só.

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Também sobre essa dicotomia que teima em repousar sobre tudo em mim. EM TUDO. E eu canso de mudar de humor, de disposição e de interesse sempre tão rápido... canso mesmo. Canso de sempre estar cansada, e a cada dia por um motivo novo.

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Há tanta coisa pra dizer, mas as horas continuam passando e eu me convenço cada vez mais de que a graça toda tá no exercício, e ainda bem por isso, já que tenho um blog feito pra não ser lido. Então descanso ao perceber que minhas limitações como produtora de texto pouco importam pra quem quer que seja, a começar por mim, e que posso escrever sem saber a respeito do quê e da forma mais porca que existir: eu não sou uma escritora, sou uma escrevente! É como disse antes, sobre o sentido da coisa toda estar no processo e não no resultado.

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Concluo com a percepção de que não disse nada de fato, mas com a satisfação de ter colocado finalmente algo pra fora depois de dias de angústia. Há linhas escritas e por hoje isso me basta! Me agarro no que tenho e tento fazer isso ser o bastante, mesmo que não seja.



Sobre a ilustração: Kelly Vivianco (adoro)


 

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