advogada, flamenguista e carnívora. não tomo café, não como pamonha e tenho medo de altura. QUALQUER altura. o protetor solar é a melhor invenção da humanidade depois do ar condicionado e da coca-zero. creme pra pele nunca é, e nunca será suficiente. "quinquilharia" é meu segundo nome e "compra-na-internet" o terceiro. tenho várias dores e adoro fingir que sei do que to falando. um tipo de Cruela De Vil, só que bem maquiada e abraçando os cahorrinhos... sempre dá pra dormir mais e emagrecer pelo menos um meio quilo.

Parabéns pra mim!



Cansei de me esquivar dos outros, de comer com culpa, viver pedindo desculpas.
.
CANSEI!
Mermão, tenho 23 anos, passei na OAB antes de me formar, fiquei em 12º lugar no segundo concurso que fiz. Posso não ser milionária, mas agora sou dona no meu nariz! Cansei de me sentir culpada por isso. Passei a vida toda estudando. Tenho o direito de achar que mereço. Posso?
.

Não tenho que provar mais nada pra ninguém. NINGUÉM!
.

Pela primeira vez, acho que na vida toda, to feliz com meu corpo, com meu cabelo, com as coisas que tenho... Minha consciência é tranqüila. Vivo em paz.
.

Pode ser só efeito do anti-depressivo cavalar que eu tomo ou dos remédios pra dormir, só sei que sou feliz, e que durmo, e isso me basta. Obrigada.

.
.
Nunca fui tão leve, tão devagar, tão aproveitando a paisagem...

Meus 23 anos:


Parabéns pra mim!

[There There, Radiohead]

pra você uns tolos contos
.
pra mim os velhos monstros

Insônia


eu e meu violão feito de ar
vejo todo mundo no mesmo lugar
tocando notas de solidão
.
todas as mãos dadas
esquerda com esquerda, direita com direita
unidas pelo magnetismo do planeta
derramando tinta que cobre o chão
.
enterro os dedos do pé demasiado pesado
demasiado encharcado
desenterro pedras com o calcanhar
.
o Sol e a Lua no mesmo céu
separados por um fino véu
tecido com mentiras feitas pra contar
.
tenho o sono pesado
mas esse sol enluarado
não me deixa descançar


[where does the good go? Tegan & Sara]

Luto

Grita, esperneia, chora, esbraveja, chora, espatifa qualquer coisa no chão, chora, briga com o pai, com a irmã, com a amiga, bate boca com o padeiro, com a tia do bombom, com o moço do cafezinho, e olha que eu nem tomo café, e olha que eu nem nada mais, e chora, nossa como chora! Joga todas as peças no chão, cria bolhas nos joelhos tentando encontrar os encaixes, usa o martelo, a serra elétrica, o maçarico, mas nem toda eloqüência do pensamento... Nada, não há nada que tenha vivido, nada que tenha me feito chegar até aqui que me dê pista alguma de como juntar os pedaços, nem 6 tipos de cola, nem o tempo, ele dont give a shit.

Mas tudo passa, até ela, a raiva, ela tb vai me deixar.

[...]

Cheguei a digitar os números... eram 14:34 de um janeiro ainda não findo. Por um segundo esqueci que não te amo mais... Um telefonema de notícias nunca recebidas.

Fechei uns olhos que nunca mais tornaram a abrir, enquanto largava o telefone pra recolher meus cacos pelo chão. Olhos meus tão ternos, tão sinceros.

[...]

E eu já não sei mais até aonde foi amor, substantivo concreto ocupando espaço e existência, cheio de reações químicas e nervosas, cheio de si mesmo, e quando virou só amar, verbo de ação pela ação somente, mas sem nenhum objeto.

[...]

E é outro dia, qualquer um deles, com única e árdua tarefa de preencher o espaço entre o primeiro piscar do dia e o último.

[...]

[...]

E aqui gasto o toco do lápis, o resto da tinha. Minha única herança é essa matéria de poesia, meu Tomas. Finito.

 

Labels



Copyright © 2009 lo increible y lo frágil que es todo All rights reserved.
Converted To Blogger Template by Anshul Theme By- WooThemes