O nada que você me deu

Enquanto todo o resto pára pra te ouvir eu olho pra vc e vejo nada. Nada.

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Não um nada qualquer, um nada doído, ressentido, que por isso mesmo deixa de ser nada e dói.

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Essa dor não é dor, é um nada acrescido. Somente chega a ser dor porque lhe falta um nome que caiba. Então fico com a dor, mesmo achando e esse nada deveria ter o teu nome. Deveria ter aqui a tua foto estampada.

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Esse nada que não é nada, essa dor que não é dor... certamente é menos do que eu precisava, e bem maior do que devia ser. Mas é, e está aqui, e me acompanha. Fui eu quem deixou doer.

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Vc me ofereceu nada e eu aceitei. Eu quiz receber. Era meu: o nada que você me deu. Fiz o que quis com ele -já que era meu- só que tudo que eu fiz foi errado, de forma que não demorou para o nada deixar de ser nulo e se tornar negativo, em conflito com qualquer positivo que ousasse existir. O positivo nunca foi alimentado, morreu agonizado numas lembranças turvas e sem registro, carentes de sentido.

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Deixei o nada tomar forma, gosto e cor. Um nada que pesa, que deixa de ser nada pra ser dor.

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